5 de mar. de 2006

Epitáfios de um vivo

De repente tudo começa a girar, como num carrossel transcendental, as imagens se distorcem e aquilo que parecia óbvio se perde no etéreo pensamento momentâneo. Minhas convicções se vão como que levadas por ventos ébrios e deliqüentes, não todas, ainda guardo arraigadas no meu peito o que me trouxe e me manteve até o presente momento. Mas estou definitivamente mudado, apático para com o próximo, entusiasmado com meu eu. Não me importa mais se outros percorrem seus caminhos, quem chega na frete nesse páreo incessante, me importa agora o que ganho com isso tudo. Posso parecer novo burguês, que visa o lucro a qualquer custo, mas não me prendo a matéria, o que aqui possuo aqui ficará. Busco algo que me enobreça, sem que tenha que pendurá-lo no pescoço, algo que me faça sensato, que não seja correção dos sábios, ou daqueles colocados na minha estrada. Afinal busco de alguma forma de me convencer que posso ser feliz sem acreditar na felicidade, que posso conquistar coisas nessa vida sem que tenha de mostrá-las à outros. Busco crescimento de meu próprio produto interno bruto, de alguma forma satisfazer essa urgência de sofisticação sem parecer soberbo aos olhos dos que me olham, mas caso pareça, danem-se vocês e seus preconceitos e julgamentos e comentários inócuos, que apenas difamam e não curam.
A saída desconheço, como que num labirinto, errante continuo a correr, tentado escapar de minha maldição, imposta pelo meu consciente que um dia tentava proteger-se de seus temores. Traumas que hoje me moldam e refletidos em atitudes são capazes de emitir imagens de mim que eu mesmo desconhecia, ou apenas ignorava.
São essa questões que não saem da minha mente, e no fim o que mais me preocupa é que após toda a batalha e martirização mental eu não recordo qual foi a pergunta inicial.
LABOR OMNIA VINCIT IMPROBUS

Nenhum comentário: