24 de ago. de 2005

Incontestável Reticências Rotineiras

Os dias passam e tudo se renova após os cataclismas cotidianos de cada um de nós. As mudanças que nos viram o leme em angulos retos acabam formando um círculo completo e trazendo-nos ao ponto de partida.
O ato de criar algo, partindo de uma imaginação abstracional e congruindo de sentimentos e percepções antepostas ao método torna-se díficil e meticuloso quando não se passa por fatos que nos causem estranheza ou a simples reflexão. A necessidade de um referencial imagético e maior que esse último um referencial perceptivo mostra-se imprescindível na concretização de projeto. Por isso essa busca errante atrás de acontecimentos impactantes que revelem-se como fatos referenciais e experiências produtivas que ajudem à materialização do objetivo projectual.
Com esse pretexto de necessidade de experiências tento analisar cada ínfimo momento até aqui vivido, extraindo de segundos passados algo relevante e se possível avassalador, que reuna em si idéias e sentimentos que possam expressar os desejos do ser humano.
Como o homem gordo no ônibus que ocupa mas da metado do banco ao lado, e durante a longa viagem, adormecido e inconsciente, ronca desesperadamente e serve de entretenimento aos que ao seu lado se dirigem à ceifa diária, absorto de minha realidade passo a tentar buscar dentro de mim mesmo algo que possa entreter aos que assistem esse show de horrores filosóficos que no final de todas as contas não me leva à lugar algum a não ser essa cadeira e meu fiel teclado amarelado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou obrigado a discordar que as mudanças nos viram o leme em ângulos retos. Primeiro, ou porque eles nos viram ou viram o leme e, este sim, nos vira.

O segundo aspecto é com relação ao grau mencionado. A questão filosófica que eu queria entender, quase como uma questão básica para compreender todo seu pensamento, é o porquê (com acento no e) de ser um ângulo reto. Seria alguma forma de discriminar o ângulo raso, ou até mesmo os mais esquecidos obtuso e agudo. Até entendo que, quando o leme nos vira em ângulo agudo, possa haver um ângulo complementar da próxima vez em que o leme virar, aí sim chegando nos seus 90º.

O segundo ponto se encontra no final do discurso. Vejo outra questão filosófica: o conceito de gordo.
A ilustração (ou fato) apresentado, nos induz a crer que o cidadão é chamado de gordo pura e simplesmente porque ocupa mais da metade do assento do ônibus. Então, a medida da obesidade está no assento do ônibus? Em nenhum outro tipo de assento é possível ter idéia conceitual da palavra obeso? Então proponho uma mudança radical na ciência, e porque não, como um serviço de consultoria, solicitar que as fábricas aumentem a fabricação de tais bancos. Logo, cada um de nós terá um banco de ônibus em casa, para saber se nossa nádega passa do limiar entre a magreza e a obesidade.

Vou continuar vigiando este fórum. Algumas questões ainda me perturbam.
Tenho dito!